Um rápido intercâmbio que mudou minha forma de pensar

Conheço muita gente que não sabe falar em inglês, umas dizem que é muito difícil e que já passou da idade de aprender, outras acham que não é necessário em seu trabalho atual, e algumas ainda assumem que têm preguiça de começar à aprender uma nova língua.

Gente, é uma vergonha dizer isso, mas na América do Sul o índice de pessoas que falam em inglês é baixíssimo, segundo o levantamento feito pelo British Council, 95% dos brasileiros não dominam a língua. É só você ir à Portugal, Espanha, qualquer região da Europa em que a língua nativa não é o Inglês, que você verá como estamos bem atrás nesse quesito.

E está bem, vou ser sincera, eu estava dentro dessa porcentagem, sempre me achei desqualificada e duvidava da minha capacidade para aprender outro idioma, enfim, uma puta insegurança nata que foi se dissolvendo aos poucos.

Afinal, o que quero contar aqui é, sobre como três meses em um país onde a maioria das pessoas falam inglês mudou meu conceito sobre aprender um nova língua e sobre como somos capazes de conseguir superar nossos desafios.

Auckland - NZ

Três meses em um país onde a maioria das pessoas falam inglês mudou meu conceito sobre aprender um nova língua.

Eu e meu marido, Daniel, decidimos começar nosso estilo de vida nômades por Auckland na Nova Zelândia. Escolhemos a cidade por ter uma das melhores escolas de inglês e pela cidade ter um custo de vida acessível em comparação à outros países.

Fomos com o intuito do Daniel aprimorar o Inglês e eu dar uma “startada” legal na língua, visto que os cursos em que eu iniciava no Brasil, era só dinheiro jogado fora, estava longe de quebrar o bloqueio da aprendizagem e a vergonha.

Creio que ter a oportunidade de viver fora do país, saindo da zona de conforto e da realidade em que vivemos, pode realmente acrescentar amadurecimento e novas oportunidades na bagagem da vida. Segue abaixo alguns dos motivos que amplificaram minha forma de pensar.

Muitas Culturas

Auckland tem muitos, mas muitos estrangeiros buscando por mais qualidade de vida, indianos, árabes, chineses, japoneses, coreanos… Pensava comigo que, em seus países a língua nativa não é o inglês, todos aprenderam a se comunicar perfeitamente mesmo sendo de culturas diferentes.

Pensava comigo que, em seus países a língua nativa não é o inglês, todos aprenderam a se comunicar perfeitamente mesmo sendo de culturas diferentes.

O que foi uma marretada na minha cabeça, para trincar o insistente bloqueio que eu tinha, acredito que liberei 70% do meu maior obstáculo, o de achar que não era capaz. Se todos conseguem, eu também consigo, acreditei.

Nessa jornada de nômade digital, eu de fato caí na real do quanto também estaria perdendo a oportunidade de me relacionar a fundo com pessoas de vários lugares do mundo e em como elas me proporcionariam uma gama de conhecimento, o que acabou me motivando mais a aprender.

Viver a língua é outra coisa

Ter que ir ao mercado, padaria, farmácia, viver uma vida de nativo, foram as situações que me trouxeram mais segurança, resultando na perda da vergonha de falar outra língua. Muitos falam que só de fato morar fora do país, se aprende bem outro idioma, acreditei, mas nunca imaginei que fosse de forma tão rápida. Obviamente, deu resultado, porque estudei bastante, em três meses saí do “the book is on the table” para o nível intermediário.

A dica é ter o pé no chão, não perder o foco, ler textos curtos, escutar músicas e ver filmes em inglês, viver colado no google tradutor, navegar no 9gag, arriscar sair falando com os nativos – mesmo que seja do tipo índio: “Mim quero Coca”. Segue essas dicas, que em pouco tempo você já vai conseguir viajar para as gringas sabendo se virar sozinho.

Convivência com brasileiros

Prós e contras sobre esse tópico. Sempre digo que sou uma curiosa compulsiva, desde conhecer lugares novos como fazer novos amigos. E sério, morar fora do país e encontrar um brasileiro é a sensação mais gostosa que tem. Você se sente mais seguro, entendem que estão na mesma barca e concordam que o calor e a energia dos brasileiros é nata e faz falta. Então a aproximação e o vínculo que se cria é uma delícia.

Por outro lado, o que acaba retardando o processo de aprendizagem é conviver e se comunicar em português com os amigos brasileiros. Nesse caso, evitar essa situação é fundamental, mas não é assim tão fácil, até porque sentimos falta da nossa língua nativa. A dica então é, enturmar uma galera estrangeira no meio, que você se sentirá levado a falar em inglês.

A dica é tentar enturmar uma galera estrangeira no meio, que você se sentirá levado a falar em inglês.

Conclusão

Se é o seu caso ter medo de ir para outro país, ter insegurança e achar que é incapaz quanto a aprender uma nova língua, acredite, nós somos capazes de qualquer coisa, é apenas mudar nossa forma de pensar. Porque tudo não passa de desculpas e impecilhos que colocamos em nossa mente.

É bonito ver isso na escrita, mas agir não é tão fácil? Sabe o que será bonito e facilitará sua vida lá na frente? Conseguir enxergar que você superou seus desafios e em seguida terá mais coragem para aprender mais outros 5 idiomas, viver e trabalhar em outro país e até conseguir um aumento de cargo no seu emprego atual.

Digo tudo isso, porque senti durante muitos anos dificuldades em aprender o inglês, começava e nunca terminava. Sempre falava que não conseguiria, criei uma verdade em minha cabeça que ninguem conseguia tirar.

Cheguei em Auckland ainda com medo do que enfrentaria, no segundo dia de aula eu saí chorando da classe sem entender uma palavra que falavam. Mas continuiei lá, não queria desistir de novo, senti aos poucos que meu cérebro ia se adaptando com a língua nova, tive muitas dores de cabeça nas primeiras semanas, fiz muitas caras de tipo “não sei o que você está falando” e até paguei alguns micos em lojas de conveniência.

Digamos que se eu consegui sair do b-a-b-a do inglês com toda a minha insegurança, você também consegue. Quem quer fazer intercâmbio não pense duas vezes e se joga, e aos que estão em dúvida, vai na dúvida mesmo.

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